domingo, 6 de maio de 2012

O Cabritino


Apesar de cada vez ser mais sensível aos sentimentos... sou carnívoro!

Depois desta minha breve descrição animalesca, voltamos aos sentimentos. No passado Domingo, dia da Mãe fomos celebrar! A muito custo (talvez pouco, depois de pensar bem), lá conseguimos tirar os papás de casa e irmos a um sitio especial. Tinha de ser especial: o dia da Mãe deve ser celebrado sem que estejam na cozinha! Devemos sempre celebrar sempre as que ainda cá estão, as que não estão, as que são por duas vezes (leia-se vóvo Tita) e as novitas... CG e FR. 

Eu decidi! Vamos ser carnívoros e comer cabrito no Cabritino em Condeixa. A escolha foi um pouco propositada. Em primeiro, é perto de casa, depois tinha tido boas referências e finalmente era a Semana do Cabrito em Condeixa. Houve logo alguns comentários vindos de diversos quadrantes... "hummm ... cabrito assado pela Mamã em forno de lenha (ou gáz) fora de casa não é tão bom!". Lá fomos reservar no Sábado uma vez que poderia ser complicado. Ainda bem que o fizemos e antecipámos o almoço para as 12.30. Um atendimento excepcional: "meu nome é... e este é o meu irmão...", uma relação públicas fundamental para um restaurante de "aldeia" fechado 2 dias por semana e que vive do Domingo para sobreviver.

No Domingo rumá-mos a medo... Lá estava a nossa mesinha na antiga casa do padre contigua ao antigo posto da GNR onde a minha mãe cresceu, sendo filha do cabo da guarda.

Mas vamos ao que interessa: comida!

Entradas. Um pratinho com quatro compartimentos, tipo taças fundidas, a testar a nossa capacidade de resistir ao chamamento do almoço. Das comuns azeitonas, paio a embrulhar queijo fresco, pequenos triângulos de melão com presunto terminando numas fora do comum fatias de "foie gras" (ou terrina, como lhe queiram chamar). Os pequenitos atacaram as tostas com manteiga barrada pelo Vovô J. e queijo fresco pelo Papá P.

Como é essencial, sopinha, lá pedimos para o J. o habitual creme de legumes que pareceu de muito boa qualidade regada com um fio de azeite. 

No pedido achei muito interessante o empregado de um profissionalismo imaculado "Já escolheu o vinho?". Não, respondi eu, uma vez que para estes dias gosto de coisas especiais (caras!) como uma Quinta Bacalhôa tinto ou mesmo uma Cartuxa. Sugeriu-me provar o da casa. Da casa, pensei eu, e vendo a minha cara, "prove que é do Dão e vai muito bem com o cabrito". Ok... ficou a menos de três vezes do que eu pensava e degostamos duas garrafas e meia! 

Após as nossas entradas, e começando a confusão do dia da Mãe, lá veio o principal da festa: cabrito. Para mim que adoro variar, pedi mão de cabrito grelhada que acabou por servir mais três. Um paladar delicioso de carne tenra muito bem temperado com limão e um trago de tempero que penso ser de pimenta. Acampanhado de umas migas transmontanas e uma batatinha nova grelhada com pele.

Para os restantes, e vão ver mais tarde também para mim, cabrito assado com grelos e batata assada. Nada de pedir cabrito em número de doses igual ao de pessoas. Também os empregados não deixavam. 

Após o levanta e anda... com o Sr Dr J., lá o despachei com os avós, o que permitiu a mim, ao brother e a esposinha, e comemos mais uma dose (que dá muito bem para 2!). Mais apurado que o primeiro, estava muito bom.      

Terminámos com uma belas sobremesas. Eu mantive-me tradicional e comi uma pêra bêbeda, os meus compinchas de refeição inovaram: escarpiada com gelado e gelados variados. Escarpiada é um doce típico de Condeixa: massa de pão envolvida em açucar e azeite fazendo uma calda deliciosa. Queixaram-se que estaria um pouco dura, mas devoram-na sem piedade! Podem perguntar, gelados? O que isso tem de inovador... os sabores: leite creme e arroz doce. Carregados de inovação e com um sabor delicados...

Voltaremos ao Cabritino? Só se não puder, e desta vez para provar outro pratos que nos chamaram à atenção!

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